Hantavírus. União Europeia reforça troca de informações para monitorizar surto

Hantavírus. União Europeia reforça troca de informações para monitorizar surto

A presidência do Conselho da União Europeia (UE), atualmente ocupada por Chipre, decidiu esta quinta-feira ativar o mecanismo comunitário que permite uma partilha constante de informação para “monitorizar ativamente” o atual surto de hantavírus, anunciou Nicósia.

Cristina Sambado - RTP /
Ramon de la Rocha - EPA

“A Presidência do Chipre decidiu ativar o mecanismo de Resposta Política Integrada a Crises do Conselho, em modo de partilha de informação, para monitorizar ativamente o atual surto de hantavírus”, anunciou Chipre em comunicado.

De acordo com a presidência cipriota da UE, que ocupa o lugar este semestre, tal ativação visa “facilitar a troca de informações entre os Estados-membros e as instituições da União Europeia”.

“Servirá como uma plataforma que reúne todas as informações relevantes e todas as ações em curso, com o objetivo de reforçar a consciência situacional e apoiar a preparação”, acrescenta.

Com base nos dados disponíveis até ao momento, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doença classifica o risco para a população em geral na Europa como muito baixo, desde que sejam implementadas medidas adequadas de prevenção e controlo de infeções e considerando que os hantavírus não se propagam facilmente entre pessoas.

“As atividades de troca de informação e coordenação já estão a decorrer ao nível da UE nos setores relevantes, nomeadamente nas áreas da saúde e da proteção civil”, adianta na Chipre, na nota à imprensa.

O mecanismo de Resposta Política Integrada a Crises da União Europeia foi criado para garantir uma coordenação rápida e eficaz entre os Estados-membros e as instituições europeias em situações de crise de grande dimensão, como pandemias, catástrofes naturais, ataques terroristas ou emergências humanitárias.

Quando ativado, o sistema centraliza e partilha informações em tempo real, facilita a coordenação política e operacional e apoia a tomada de decisões conjuntas ao nível da UE.

O mecanismo pode funcionar em diferentes níveis — desde simples monitorização e troca de informações até coordenação total de resposta — permitindo que a UE reaja de forma mais organizada, coerente e eficiente perante ameaças transfronteiriças.
Todos os contactos em França com teste negativo A ministra francesa da Saúde revelou, esta quinta-feira, que todos contactos da pessoa que testou positivo para o hantavírus em França testaram negativo, "sem exceção".

Na rede social X, Stéphanie Rist acrescentou que “como medida de precaução, dada a taxa de mortalidade estimada da doença entre 30% e 40% e o seu longo período de incubação — atualmente estimado em 42 dias — estes 26 indivíduos estão todos em isolamento hospitalar".

Nesta fase da investigação científica, podemos descartar qualquer contaminação prévia de outros indivíduos".

Segundo a governante, “as 26 pessoas continuarão a receber acompanhamento médico e a ser testados três vezes por semana. A partir de agora, as autoridades de saúde não divulgarão mais informações sobre estes resultados, exceto em caso de teste positivo."

Stéphanie Rist deixou ainda uma palavra de agradecimento “a todos os profissionais médicos e científicos mobilizados para o cuidado do nosso concidadão que permanece na UCI e das outras 26 pessoas em isolamento”.

Cinco passageiros do Hondius estão hospitalizados no Hospital Bichat, em Paris. Quatro deles estão bem e testaram negativo, mas uma mulher desenvolveu o vírus e está nos cuidados intensivos em estado grave.Os contactos foram hospitalizados em vários hospitais em França.

Oito deles embarcaram num voo a 25 de abril de Santa Helena para Joanesburgo, no mesmo avião que um passageiro holandês do Hondius que tinha testado positivo para o vírus. Outros catorze contactos próximos embarcaram no voo Joanesburgo-Amesterdão que o passageiro holandês tentara, sem sucesso, apanhar.

Os cinco passageiros foram repatriados por um voo médico especial das Canárias, onde o Hondius desembarcou todos os seus passageiros.Passageiros com teste negativo regressam à Austrália Seis passageiros do MV Hondius, o navio de cruzeiro onde ocorreu um surto de hantavírus, deverão voar dos Países Baixos para a Austrália esta quinta-feira, utilizando equipamento de proteção, depois de terem testado negativo para o vírus, anunciou o Governo australiano.

Estes seis indivíduos — quatro australianos, um cidadão britânico residente na Austrália e um neozelandês — encontram-se de "boa saúde" e não apresentam quaisquer sintomas, afirmou o ministro australiano da Saúde, Mark Butler, em conferência de imprensa.

Deverão partir dos Países Baixos na manhã desta quinta-feira, num voo fretado por Camberra. Foram evacuados das Canárias, em Espanha, para os Países Baixos após o cancelamento de um voo direto para a Austrália.

A aeronave deverá aterrar na sexta-feira numa base aérea na área metropolitana de Perth, no oeste da Austrália, perto de uma instalação de quarentena com 500 camas, onde os seis passageiros do MV Hondius deverão permanecer durante um mínimo de três semanas, esclareceu Butler.

"Serão testados à chegada à Austrália e usarão equipamento de proteção individual completo durante todo o voo para garantir que não há risco de transmissão" do hantavírus, acrescentou.O ministro não adiantou mais pormenores sobre os passageiros ou onde o avião irá reabastecer temporariamente — uma questão que, segundo vários órgãos de comunicação social, complicou a logística do voo.

As autoridades ainda não definiram o protocolo após a quarentena inicial de três semanas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda 42 dias de isolamento para contactos próximos.

Não existe vacina ou tratamento específico para o hantavírus, que pode causar síndrome respiratória aguda.
Paciente norte-americano sintomático com teste inconclusivo
O caso considerado inconclusivo diz respeito a uma pessoa nos Estados Unidos, "atualmente assintomática".

Inicialmente, o passageiro do navio MV Hondius apresentou "sintomas leves" e testou positivo num laboratório e negativo em outro. Por isso, os resultados de análises não permitem chegar a uma conclusão.


Todos os 18 norte-americanos repatriados permanecem sob observação médica. A maioria deles está no Nebraska, e outros dois estão em Atlanta, Geórgia.

c/ agências
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